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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima, de forma conservadora, que 3,8 milhões de adultos e 1 milhão de crianças menores de 18 anos estejam atualmente sob exploração sexual forçada. Destes, 99% são mulheres e meninas. 73% de todas as vítimas são da Ásia.
O tráfico de pessoas é a principal causa desse número alarmante. 74% de todas as vítimas de exploração sexual forçada vivem fora de seus países de origem. As Nações Unidas (ONU) estimam que o tráfico de pessoas gere US$ 32 bilhões por ano. 85% desse valor provém do tráfico de pessoas para fins de exploração sexual.
O tráfico de pessoas no Nepal afeta principalmente mulheres e crianças, que muitas vezes são levadas para a Índia, o Oriente Médio e outros países asiáticos, onde são forçadas à prostituição, ao trabalho doméstico, à mendicância ou ao trabalho escravo. A maioria das vítimas é traficada para exploração sexual, com cerca de 12.000 mulheres e crianças levadas para a Índia a cada ano. Meninas nepalesas são frequentemente visadas porque suas características físicas e pele mais clara são consideradas desejáveis, aumentando a demanda no mercado da prostituição.
Relatórios indicam que cerca de 200.000 mulheres nepalesas, muitas delas menores de 18 anos, estão em bordéis na Índia. Estudos constataram que cerca de 20% das meninas em zonas de prostituição são menores de idade, enquanto outras organizações estimam que esse número possa chegar a 60%. Dados de relatórios internacionais também mostram que 36% das pessoas traficadas são crianças, a maioria meninas.
Com famílias numerosas e recursos limitados para suprir as necessidades básicas, muitos pais se tornam presas fáceis para traficantes. Ao receberem ofertas de dinheiro e promessas de educação para seus filhos, muitos pais caem nas mentiras dos traficantes.
Em muitas comunidades pobres do Nepal, os laços familiares podem ser distantes, especialmente em famílias numerosas com muitos filhos. A sociedade é fortemente patriarcal, com os homens ocupando o papel central, enquanto as mulheres e meninas frequentemente têm uma posição secundária dentro da família e da comunidade. Em algumas regiões, o nascimento de meninas ainda é visto de forma negativa, refletida em ditados que demonstram que elas são menos valorizadas. Por isso, o governo adotou medidas como a proibição da identificação do sexo do bebê durante exames de ultrassom, em um esforço para reduzir o aborto espontâneo e proteger as meninas.
Mais de 80% da população do Nepal é hindu e, em algumas interpretações culturais dessas crenças, o sofrimento pode ser visto como relacionado ao carma. Por isso, algumas pessoas acreditam que interferir no sofrimento alheio pode afetar seu caminho espiritual. Essas ideias, embora nem sempre baseadas em ensinamentos religiosos oficiais, podem influenciar atitudes na sociedade e levar a menos compaixão por meninas vítimas de exploração, já que sua situação pode ser vista como algo inevitável.
Esse fator também está ligado à economia. Famílias pobres nas aldeias são facilmente enganadas por falsas promessas de homens ou mulheres que lhes são apresentados como pessoas boas.
As crianças cambojanas são extremamente vulneráveis ao tráfico de seres humanos e muitas são exploradas tanto no país quanto no exterior. Meninas são frequentemente levadas de áreas rurais com falsas promessas de trabalho ou educação e forçadas a trabalhar em bordéis, casas de massagem, como domésticas, em fábricas, barcos de pesca ou a mendigar, sendo a exploração sexual um dos principais objetivos.
As vítimas são traficadas para países como China, Tailândia e Malásia. Crianças são especialmente visadas, e algumas em bordéis têm menos de 10 anos de idade, muitas vezes crescendo em ambientes que as levam à exploração precoce. A discriminação com base na cor da pele também aumenta a demanda por certas meninas.
O país enfrenta sérios problemas sociais e de saúde, com relatos mostrando que cerca de 1 em cada 5 mulheres cambojanas morreu por causas relacionadas à gravidez nos anos anteriores a uma pesquisa nacional, muitas delas ligadas a abortos inseguros, o que evidencia o alto nível de vulnerabilidade entre mulheres e meninas.
Com famílias numerosas e sem recursos para a sobrevivência mínima, muitos pais em situação de pobreza tornam-se presas fáceis para traficantes que oferecem grandes quantias em dinheiro para levar crianças e jovens.
Os relacionamentos na maioria das famílias cambojanas tendem a ser mais frios do que os que vivenciamos nas culturas ocidentais ou latinas, especialmente nas famílias mais pobres com muitos filhos. Muitos cambojanos não valorizam o afeto em seus relacionamentos, relacionando-se e interagindo de forma superficial; não há calor humano. Frequentemente, não há prática de partilha entre pais e filhos, maridos e esposas, e assim por diante. A sociedade é extremamente ligada à idade, onde os mais velhos detêm a razão e a verdade, e os mais jovens devem se submeter.
Apesar de ser uma sociedade matriarcal, as mulheres continuam a sofrer com certos aspectos da cultura. Culturalmente, os jovens, e especialmente o filho mais velho, têm a obrigação de sustentar os pais quando estes já são “aptos para trabalhar”, e essa situação gera um desequilíbrio familiar, visto que a jovem, para não se envergonhar de não conseguir cumprir seu papel de filha, torna-se vulnerável a buscar qualquer tipo de trabalho e é mais facilmente enganada, e os pais, por sua vez, aceitam qualquer profissão que a filha seja levada a exercer, mesmo diante da necessidade financeira.
Esse fator também está ligado à economia. Famílias pobres nas aldeias são facilmente enganadas por falsas promessas de homens ou mulheres que lhes são apresentados como pessoas boas.
Meninas traficadas para bordéis frequentemente chegam já endividadas com transporte, alimentação e outras despesas, e essa dívida continua aumentando, tornando quase impossível para elas escaparem. O dinheiro que ganham geralmente é confiscado pelos donos dos bordéis, forçando-as a permanecerem em situação de exploração. Muitas vivem sob constante vigilância e ameaças, o que torna a fuga extremamente difícil. Elas podem ser obrigadas a atender vários clientes por dia, muitas vezes sem alimentação adequada ou cuidados médicos, ficando vulneráveis à violência, doenças e infecções. Devido à falta de prevenção e informação, muitas meninas adoecem gravemente ainda jovens, e algumas morrem de doenças, abusos ou ao tentar fugir.
Em ambientes afetados pela prostituição, muitas crianças crescem expostas à exploração desde tenra idade, especialmente quando suas mães estão envolvidas nessa atividade. Sem acesso a oportunidades mais seguras, algumas começam a mendigar ainda crianças e tornam-se vulneráveis à exploração à medida que crescem. Nas redes de tráfico humano, as vítimas mais jovens são frequentemente visadas por serem consideradas mais valiosas, o que aumenta o risco para crianças e adolescentes. Muitas são enganadas com falsas promessas e acabam presas em situações de abuso severo, onde são tratadas como objetos de lucro e gradualmente perdem qualquer chance de uma vida normal.